Sábado,3 - Novembro, 2007...8:24 pm
TREPANDO E BEBENDO COM MODERAÇÃO 03/11/2007
TREPANDO E BEBENDO COM MODERAÇÃO
Rapaz! Isso é que é declaração pensada, ou seja, pensada mal. Meio fascista, não? Defender o controle da natalidade das camadas desfavorecidas, atribuindo-lhes um potencial de criminalidade é o mesmo que avalizar políticas de extermínio e quejandos. Cabral perdeu uma grande oportunidade de pensar calado e refletir antes de falar, ofendendo as mulheres das favelas e de todas as comunidades pobres como produtoras de bandidos pelo ventre. Uma declaração falaciosa e tão violenta quanto discriminatória.
Violência por violência, a moral das vacas também sofreu barbaridades por aqui. Tempo de vacas magras e adulteradas. Fosse na Índia, onde são sagradas, a coisa ia feder. Mas, abaixo da linha equatorial, o tratamento às vacas costuma ser mais profano, quando muito de presépio. E foi uma presepada de dar gosto. Colocaram água oxigenada e soda cáustica no leite. Tem dona-de-casa desentupindo pia com longa vida. 
O pior é que, agora, beber leite deixou de ser confiável. Uma tarefa de risco. A Via Láctea virou Crucis. E, ao que tudo indica, ninguém será crucificado.
Cerca de 70% da produção de leite no nosso país vem de pequenos produtores que entregam o leite cru para as cooperativas que monopolizam o mercado com a distribuição e utilização do formato das famosas caixinhas longa vida. Ficamos sabendo que muito pouco ou nada existe de fiscalização desse material. Dos coliformes fecais a esse novo tipo de perigosa adulteração, tudo pode acontecer.
Só agora (depois do leite, literalmente, derramado) a Associação Brasileira do Leite Longa Vida - ABLV - anuncia para 2008 um selo de qualidade. Saudades do tempo em que só colocavam iodo no nosso uisquinho. Estivesse vivo, o saudoso Barão de Itararé não estranharia. Nos anos quarenta, nosso Aparício Torelly candidatou-se a vereador pela cidade do Rio de Janeiro, com o seguinte slogan: “Mais leite, mais água, menos água no leite”. Atual, não lhes parece? O Barão sabia das coisas.
Se a vaca-estátua no banco da praia de Copacabana, vizinha ao poeta Drummond, estivesse lendo jornais em vez de livro, ficaria envergonhada com o que andam fazendo com o leite das criancinhas.
Tempos bicudos e de vacas magras e aturdidas.
Pobres trepem menos e consumidores de leite bebam com moderação. Era só o que lhes faltava.
Deixe uma mensagem