Sábado,26 - Dezembro, 2009...4:06 pm
So This Is Christma’s
Foto: Internet ![]() |
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Nesta
época tão singela, de presentes, bons velhinhos, renas e ceias, sinto
como se escutasse, ao longe, a melodia eterna do jingle bell. E, cá
para nós, não há nada mais irritante que a melodia do jingle bell, até
por ser eterna demais.
Pior
só o universo de crônicas que se espalham pelos jornais, revistas e
internet, com ênfase nos tempos de paz, castanhas e nozes, a família
reunida e o sentimento natalino em todas as casas. Saco. É um tal de
neguinho escrevendo sobre fraternidade, renovação e reflexão, hora de
contabilizar tudo o que aconteceu durante o ano e tirar conclusões. E
eu concluo que tenho vontade de sumir. Sair de fininho, voltar só em
2010, depois dos fogos.
Pode
reparar que sempre terá alguém que escreverá sobre as luzes enfeitando
vitrines, ruas, casas, árvores, mas reclamará que vê pouco brilho nos
olhares das pessoas, procurando compreender o verdadeiro significado de
Natal. Estou fora.
Ou aquele que lembrará Lennon em “so this is Christma’s and what you have done”. É foda.
Haverá os pretensos intelectuais
que citarão o conto “Peru de Natal”, de Mario de Andrade, ou
Dostoiévsky, em “Árvore de Natal na casa de Cristo”. Literatura a
serviço da mesmice profissional.
Enfim, não faltarão motivos e desculpas para derramar as usuais baboseiras pertinentes.
Algum
cronista mais esotérico relacionará o Natal à cabala. Ora, todo o
simbolismo relacionado com o nascimento de Jesus é alquímico e
cabalístico, mesmo. Não há novidade.
Pior para os humoristas que não escaparão da tentação de associar o panetone natalino aos do Arruda. Será inevitável.
E
antes que comecem a pipocar os escritos sobre a origem de Papai Noel na
longínqua Lapônia ou as terríveis mensagens com trilhas sonoras e
ilustrações manjadas, antecipo-me e aviso: não é uma questão de
ausência de espírito cristão ou mau humor agnóstico, mas, neste Natal,
nada de textos sobre Natal, por favor
Seria,
então, um disparate, além de total paradoxo, escrever a vocês desejando
que o Natal fosse a esperança do ano que está por vir, com todas as
realizações possíveis e imaginárias. Tenho quase certeza de que não ia
adiantar muito. Ainda assim, correndo esses riscos, insisto. Quem sabe
dá certo? Um feliz Natal.

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