23 - Julho, 2010

Cinco dias em Maceió - 23-07-10


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Maceió é uma cidade muito bonita. Os arrecifes fazem-na ainda mais bela, com os coqueiros espalhados pelas praias. As chicas são sorridentes e o povo caloroso e simpático. O uísque tem o preço honesto, as lagostas já não são mais as mesmas, porém as cervejas são encontradas facilmente,  bem geladas e em quase todos os lugares onde caiba uma mesa com cadeiras.

            A riqueza, mui bem mal dividida, pode ser notada nas fachadas dos edifícios e hotéis estelares da beira-mar, e nos carros zero de marca. A pobreza dos demais corresponde à imensa maioria, mas esta comporta-se bem e democraticamente, no seu cantinho e sem encher o saco de ninguém. Sabemo-nos um povo cordato e maneiro. A segurança na periferia é mínima, embora nos centros turísticos não se faça tão urgente, como sói nas grandes capitais do nordeste. Por enquanto.

            A parte histórica e cultural não é protagonista principal. Raros teatros, cinemas e, no máximo, shoppings de luxo ostentando uma moda copiada e cara. O turista, no entanto, não terá dificuldade de achar o que levar de lembrança, os mercados artesanais abundam. O mesmo de sempre: bonecas baianas, chapéus de palha costurada, castanhas de caju, sandálias rústicas e as tradicionais camisetas “estive em Maceió”.

            Há passeios interessantes, como o da praia do Gunga ou o de Maragogi. Se pretender conhecer a badalada praia do Francês, cautela: ela não é mais a mesma, tendo sido loteada pela horda de ônibus e vans de turismo rasteiro e sem controle. Totalmente dispensável.

            A culinária alagoana não destoa da grande maioria nordestina, Come-se bem e barato as coisas do mar, com devidas ressalvas a algum restaurante meio metido à besta e careiro. Em compensação o camarão é como sardinha, inclusive no preço. Minha melhor experiência gustativa foi uma agulhinha frita, regada a simples caipirinha no Parmeggiano, um restaurante (de nome esdrúxulo para o lugar, eu sei) escondidinho e jeitoso, perto do Pontal. No Peixarão, no canto da praia da Ponta Verde, há uma peixada com moqueca que não fica a dever à capixaba.           

            Com quaisquer vinte pilas, passeia-se de jangada por duas horas pela calma e ventilada Pajuçara. Recomenda-se procurar o Sr. Mário, veterano nessa arte, com seu indefectível chapéu de pescador (que ele garante não tirar nem pro banho).

            Em Jatiúca, nosso velho esporte meretricial pode ser vastamente flagrado na orla ou no forró do Lampião, outrora legado de dança simples, hoje mercado de sexo em campo aberto. Não me perguntem o preço nem a idade das meninas, à guisa de evitar constrangimentos à toa.

            Espero ainda voltar, antes que acabe. Não a putaria, é claro, mas o sossego.

 

Marcio Paschoal, 23/07/2010.

14 - Julho, 2010

Saiu no site da Livraria da Folha - 09/07/2010

09/07/2010 - 20h01

“A Maconha Está Bêbada” traz crônicas bem-humoradas sobre sexo, religião e drogas

da Livraria da Folha

Divulgação
Marcio Paschoal polemiza com bom humor em livro de crônicas
Marcio Paschoal polemiza com bom humor em livro de crônicas

Dos pequenos anúncios colados em orelhões até o motivo da nudez incomodar tanto, tudo vira uma discussão bem-humorada nos textos do escritor carioca Marcio Paschoal. Ele reúne 46 crônicas curtas de sua autoria em “A Maconha Está Bêbada e Outras Crônicas” (Mirabolante, 2009).

Na obra, o autor fala de temas polêmicos como religião, família e sexualidade, todos tratados de forma simples e com direito a muitas piadas. Paschoal também resgata assuntos que frequentaram o noticiário, como o roubo do relógio Rolex de Luciano Huck e escândalos políticos que não deram em nada.

Na hora de falar sobre criminalidade, como casos de bala perdida no Rio, o escritor assume um tom sério. Mas as brincadeiras logo retornam quando o assunto vira música. Em “Amy-as ou deixe-as” o cronista fala sobre a voz e o talento das cantoras Amy Winehouse e Joss Stone. Dois textos à frente ele faz humor com os erros gramaticais de clássicos da MPB.

Paschoal também levanta a discussão sobre o que está por trás do ato sexual. O sexo seria apenas um sonífero, vontade pura e simples ou uma maneira sublime de se aproximar de Deus?

Já a crônica título do livro traz uma defesa da legalização da maconha. Entre os argumentos estaria a ideia (contestada por muitos) de que a droga quase não deixaria sequelas. Mas o leitor contrário à erva pode ficar sossegado, a reflexão só dura até que o autor, de repente, se esqueça do que estava falando. Os motivos da falta de memória ficam literalmente no ar.

Com histórias rápidas e sem perder o tom de crítica, “A Maconha Está Bêbada e Outras Crônicas” pode ser uma boa fonte de risadas ao falar de temas importantes, e outros nem tanto, de forma leve e engraçada.

Marcio Paschoal também é autor de Os Atalhos de Samanta, “Horoscopo Sexual para Praticantes”, “Cada Louco com Sua Mania” e “Sofá Branco”, todos pela Editora Record.

Leia trecho.

*

Estou me sentindo prostrado

A espantosa revelação, confesso, deixou-me tão perplexo quanto curioso. Os cientistas constataram que, ao contrário do que se sabia até hoje, a próstata não é mais exclusividade masculina. É isso mesmo, caro leitor (ou leitora, agora com sua próstata inclusa): as mulheres já têm próstata. Tese confirmada por pesquisadores do Instituto de Biologia da Unicamp.

Mas, antes de acusarmos possíveis responsáveis, detenhamo-nos aos fatos. A tal próstata feminina é uma glândula ligada à ejaculação feminina e ao ponto G. Piorou. Não só nos chocam com a excentricidade da novidade como também garantem que a descoberta vem associada a dois velhos tabus.

Poucos sabem (ou preferem não admitir) sobre a realidade da ejaculação nas mulheres. Fica difícil aceitar que aquele nosso velho e indefectível jorro, motivo de disputas na adolescência, não nos seja mais exclusivo. Pode-se imaginar agora um campeonato semelhante com as mocinhas em plenos e animados squirts.

Constrangedor, convenhamos. No quesito ejaculação precoce, então, o fenômeno se inverteria: nos machos, uma patologia e motivo de vergonha, nas mulheres, uma dádiva, uma séria investidura nos almejados orgasmos múltiplos e rápidos.

Quanto ao quase mítico ponto G, as discussões devem ser menos acaloradas. Afinal, o tal ponto já não incomoda tanta gente. Penso que poderíamos compará-lo à astrologia: poucos acreditam, porém não custa dar uma checada de vez em quando.

Bem, voltemos à nova próstata feminina. Esses tenazes pesquisadores concentraram suas atenções num roedor denominado gerbilo, comum no deserto da Mongólia. Dá para se imaginar o quanto não sofreram, com suas próstatas invadidas e xeretadas, esses pobres gerbilos. Enfim, um preço a pagar (pelos ratos) para o conhecimento.

Aqui uma informação só para os leigos (acho que a maioria): a próstata feminina fica localizada junto à parede da uretra e se diferencia da dos homens por ser reduzida e ter uma estrutura bem espalhada. Dito de outro modo, é menos volumosa e vive dispersa, transitando livremente pelas células e cavidades abdominais.

Tal diferenciação revelaria uma enorme vantagem para elas, pois o toque retal para exame da próstata tornar-se-ia praticamente improvável. Não haveria dedo possível do urologista para alcançá-la. Sorte delas. Bem que nós poderíamos ter uma assim tão versátil e dada a passeios.

Para terminar, acrescento a informação de que algumas mulheres podem ter sua próstata aumentada nos casos de hiperandrogenismo (excesso de hormônio masculino), em casos de terapias de reposição hormonal na menopausa ou nos altos índices de testosterona (casos mais comuns em atletas). Não foi cogitada nenhuma associação com as escolhas sexuais, que fique bem claro.

Há boatos, maldosos certamente, de que esses mesmos cientistas estariam envolvidos num projeto de estudo que evidenciaria o surgimento de menstruação em alguns homens, explicando assim a origem da teoria da TPM masculina. Já não duvido de mais nada.

*

“A Maconha Está Bêbada e Outras Crônicas”
Autora: Marcio Paschoal
Editora: Mirabolante
Páginas: 256
Quanto: R$ 29,90
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

4 - Junho, 2010

Segunda edição da biografia do João do Vale

JÁ À VENDA A SEGUNDA EDIÇÃO DO LIVRO

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PISA NA FULÔ, MAS NÃO MALTRATA O CARCARÁ

biografia do compositor João do Vale, com relatos sobre a música popular brasileira, a censura, a política das gravadoras e os fatos políticos relevantes naquele período no Brasil e no mundo. Uma visão ampla da história da MPB e do país.

 

Pisa na Fulô Mas não Maltrata o Carcará - Vida e Obra de João do Vale, de Marcio Paschoal.

A biografia analítica é uma importante obra de referência com 268 páginas, discografia, musicografia - são mais de 200 títulos - e depoimentos de quase uma centena de artistas que conviveram com João do Vale, entre eles, Edu Lobo, Fagner, Chico Buarque, Bibi Ferreira, Zeca Baleiro, Chico Anysio, Ivan Lins, Ferreira Gullar, Jaguar, Zé Kéti e Nara Leão.

 

Preço: R$ 25,00

 

“Fruto de minuciosa pesquisa, este livro é a biografia de um dos maiores compositores da música brasileira de todos os tempos. Imortalizado por canções como “Carcará”, “Pisa na fulô” e “Asa do Vento”, o maranhense João do Vale tem sua história de glória e ruína contada com rigor histórico e certa dose de humor. A história de João é a história de um dos maiores poetas populares da nossa música.”     ( Zeca Baleiro)